Há jeitos que não se esquecem. É como andar de bicicleta. Um olhar, cronometrado ao microssegundo, serve perfeitamente para traçar um rigoroso perfil psicológico. As pupilas mais dilatadas, as órbitas que teimam em resvalar (olhos, lábios, corpo, corpo, lábios, olhos), o adejar das pestanas mais denso e aveludado. A voz, mais colocada, dois tons mais sensual, quase quase no limite do patético-radiofónico. E mesmo quem teima em fugir ao seu destino - o de ser um corpo errante - entrega-se, assim, como quem quer a coisa, ao próximo destinatário. "É a natureza humana!", dirão alguns. "É um cabrão incorrigível!", dirão algumas. Eu sei que a vida é mais do que isso e que numa casa portuguesa fica bem, mulher que saiba por a mesa. E não nos enganemos. O que nós, mulheres, queremos, é um homem a quem estender a toalha, o tacho e o copo sobre a mesa. E o corpo também (mas isso já depende dos corpos... e das mesas). Mas o que há-de uma mulher (qualquer que seja o lad...
Pensa o caro leitor que interesse pode ter um texto sobre roupa interior masculina, e o que há para debater sobre o assunto. Pensa também o respeitoso cibernauta que a questão se resume à dicotomia ‘boxer vs. cuecas’. Proponho ao simpático interlocutor que esqueça tudo o que até hoje aprendeu sobre vestes interiores e me acompanhe numa interessante viagem ao complexo mundo da roupa interior masculina. Nota prévia: Este pequeno guia, baseado em dados recolhidos através de centenas de inquéritos anónimos feitos a, humm, pessoas, e na minha mais ou menos vasta experiência pessoal, pode ser usado como interessante instrumento para rapariguinhas, jovens mulheres, cotas enxutas e matronas atiradiças. E é gay friendly . Boxer clássico - como o próprio nome o indica, um clássico. O tradicional calção de tecido, com comprimento até meio da coxa, elástico franzido na cintura e os indispensáveis 3 botõezinhos na braguilha. Vem em variações de cores e padrões, que vão desde o indispensável azul-c...
Tenho fobia a pullovers . Um assunto interessante? Nem por isso. Mas, ou era isto ou o conflito no Médio Oriente, portanto... acompanhem-me no meu interessante raciocínio. A minha fobia não é em relação à peça de roupa em si, mas sim ao que ela representa. Um pullover 100% lã (versão inverno) ou 100% algodão (versão estival) é sinónimo de establishment , de "estou de bem com a vida e uso caxemira", de "não tenho imaginação suficiente para usar outra coisa que não esta aborrecida vestimenta". E isso arrepia-me mais do que a visão de uma ratazana a passear-se em plena Avenida da Liberdade. Um exemplo concreto. Um distinto jovem, nos seus 30, elemento da brigada de marketing da empresa X. Formou-se cum laude em algo interessantíssimo como Gestão, ou Finanças. Depois de um brilhante percurso académico, com uma vida social morna e algumas aventuras sexuais pelo meio (mantendo um relacionamento duvidosamente monogâmico com uma namorada, a mesma), rumou a um país do 1º M...
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