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A rejeição… a rejeição, pá, é uma cena fodida. E é tramada especialmente naquelas situações em que não encontramos uma razão específica para termos levado uma tampa. Desta vez, decidi descer do meu pedestal reaccionário para confessar que… estou confusa. O caso sucedeu há alguns dias e ainda não consegui perceber o que aconteceu. Escrevo, não porque queira conselhos, mas porque estou perplexa com o sucedido. Conheci o senhor X (chamemos-lhe assim) há um par de meses. Então… então… esperem… Não é assim que eu quero contar a história. Não quero expor os factos ‘tal e qual como eles aconteceram’. Porque eu não sei o que aconteceu, nem como, nem quando. Muito menos porquê. Sei que mergulhei de cabeça numa aventura com um quase desconhecido. Sei que me entreguei, desinteressada, voluntariosa e apaixonada. Sei que me arrependi horas depois de ter começado. O que não sei, o que não percebo… O que eu queria mesmo era que ele tivesse dito ‘pá, miúda, és fixe, mas não te curto. Não me atrais, nã...

Silêncio

Que ninguém fale Porque, se falarmos, o silêncio será ensurdecedor. Que se calem Não quero saber das cotações da bolsa. Fiquemos mudos E quero lá saber da tua ex-namorada! Dos teus sonhos, aspirações e coisas Cala-te de uma só vez. Porque, calados, fazemos mais um pelo outro Do que desfiando passado, presente e futuro. Porque, no vazio, valemos mais Porque, ocos, somos melhores.

Devotchka - How it ends (Everything is illuminated)

Goran Bregovic Kalashnikov

I wish we could too

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Salvé Cristiano Ronaldo!

CR7: Vaidade com verdade Jogador é milionário na idade em que muitos começam a trabalhar e gosta de o mostrar demuitas formas, mas tal não lhe rouba o mérito, invulgar entre nós, de ser uma vedeta planetária Fez-se gente a brincar com bolas, das ruas funchalenses aos grandes estádios. Fez-se rico. Muito. E os brinquedos evoluíram. Carros de luxo, jóias, namoradas vistosas. A quem é tudo permitido: a Cristiano Ronaldo ou ao dinheiro? Gasta está a história de como o nome de um actor de segunda deu futebolista de primeira, mas não há outra. No topo do mundo a semanas de completar 24 anos, Cristiano Ronaldo Santos Aveiro é Ronaldo em homenagem ao canastrão Reagan, que veio, depois, a tornar-se no presidente americano que o capitalismo canonizou. Tal é relevante pela ironia: nascido com uma mão à frente e outra atrás, se isso se pode dizer de um bebé, recebeu o nome de alguém que, tendo todo o poder, nada fez pelos carenciados do planeta; mas o jogador, ao tornar-se gema incrustada na coroa...

Pulloverphobia

Tenho fobia a pullovers . Um assunto interessante? Nem por isso. Mas, ou era isto ou o conflito no Médio Oriente, portanto... acompanhem-me no meu interessante raciocínio. A minha fobia não é em relação à peça de roupa em si, mas sim ao que ela representa. Um pullover 100% lã (versão inverno) ou 100% algodão (versão estival) é sinónimo de establishment , de "estou de bem com a vida e uso caxemira", de "não tenho imaginação suficiente para usar outra coisa que não esta aborrecida vestimenta". E isso arrepia-me mais do que a visão de uma ratazana a passear-se em plena Avenida da Liberdade. Um exemplo concreto. Um distinto jovem, nos seus 30, elemento da brigada de marketing da empresa X. Formou-se cum laude em algo interessantíssimo como Gestão, ou Finanças. Depois de um brilhante percurso académico, com uma vida social morna e algumas aventuras sexuais pelo meio (mantendo um relacionamento duvidosamente monogâmico com uma namorada, a mesma), rumou a um país do 1º M...

Deixa

Deixa os teus afazeres, vem para a minha beira. Sossega. Cerra os olhos, sente o meu hálito quente no teu pescoço, as minhas mãos nos teus cabelos. O coração bate... Deixa que a minha língua se debata com a tua, um lânguido beijo, quase um desmaio. Uma leve tontura... Agarra-me, segura-me pela cintura, o teu corpo sobre o meu. Segura o meu rosto nas tuas mãos, deixa-me sonhar no rio verde dos teus olhos, enquanto me enganas e me despes. Prova-me, flor de sal, ondas do meu corpo...Provo-te, terra, água, o chão, as mãos no chão, a minha boca em ti, e as mãos. Deixa-me ir contigo, neste vaivém sem futuro. Embala-me. Assim. Mais. Leva-me, que eu quero ir. Queda-te aqui para sempre, exausto, dentro de mim. Queda-te. Não me deixes só.

O que é o Natal?

Há uma criança a caminho,a primeira na família em quase duas décadas. Enquanto esse novo ser não irrompe nas nossas vidas (natividade tardia), entretenho-me observando a contagem decrescente até ao dia 25. Pinheiros metálicos iluminados à custa do generoso patrocínio de empresas, montras recheadas de trapos, gadgets e quejandos, promoções e promessas de um Natal mais "económico", "fantástico", "luxuoso", "a prestações", "sem juros". Fala-se de "crise" (palavra puta, anda nas mãos, bocas e bolsos de toda a gente). O seu fantasma paira, pesado e bafiento, como uma doença crónica que atrofia os músculos e entorpece o pensamento. Os que a debatem acaloradamente nas mesas dos cafés, enquanto sorvem a bica, são os mesmos que, nas filas do shopping, mordem os lábios e franzem o sobrolho a cada "bip bip" da registadora. Depois de, atordoados, verificarem o valor total correspondente ao amontoado de Barbies, Playstations, Pol...

Barrack Obama SC Victory Speech Jan 26, 2008 - part 2/2

Arte de Roubar

Quero um Ivo Canelas e um Enrique Arce SÓ PARA MIM!!!

Ninguém

Enfado. aborrecimento. Rotina. Silêncio. Luz. Ninguém sabe, ninguém diz, ninguém fala. Paredes meias com a verdade, com o 'sim', com o mundo. Perto de alguém sem rosto, sem corpo, que nunca chega. Perto de um destino, próximo inalcançável. Toco, pontas dos dedos roçam em ti... Que não és. Estúpidas ilusões de infância, estúpidos contos de fadas, estúpidos romances de cordel, estúpida esperança, estúpido encanto. Estúpida alma, estúpidas fadas, e que estúpida, tão estúpida sou eu. Por crer. Acreditar.

The Onion - Dicas Úteis (aguarda-se com expectativa versão portuguesa)

Today Now!: How To Pretend You Give A Shit About The Election

Aj Mclean Drive By Love (live)

O primeiro avanço do álbum a solo de Aj Mclean, "Drive by Love". Enquanto não há video, aqui fica uma actuação ao vivo. Este senhor foi a minha primeira paixão platónica e continua sexy como o caraças! Um verdadeiro animal de palco...

Livre

Dispo o vestido, tiro a maquilhagem. Chega de decotes, de personagens. Já não estou apaixonada. Passou. Já não tenho de fingir ser quem não sou, dizer o que não penso, sorrir-te, satisfazer-te, agradar-te. Eu não era eu, era-o por ti. Esta sou eu: irascível, ruidosa, instável, de chinelos, roupa larga, cabelo revolto, fria, hesitante, um turbilhão. Mudo de canal. Abaixo o rock, viva a Pop! Já não escondo o meu sotaque, as minhas manias, o meu ciúme. Não me fazes tremer, não me quero esconder, não anseio por ti. Falo do que me interessa, e o que me interessa não é isso. Não é esse hedonismo, esse contentamento mascarado de estabilidade, essa rebeldia supérflua. Eu ainda não sou assim, e ainda bem. Não escutarei as tuas lições, as tuas críticas, porque a idade não é um posto e eu quero viver por mim. Já não há encanto no reencontro, não há calor nos beijos, não há ânsia na partida. Apenas uma leve tristeza por já não gostar de ti. Baixei os braços, encolhi os ombros, esta nunca foi a min...

Banda Sonora Para uma Tarde de Fim de Verão

Estelle featuring John Legend - "You Are"

Não há paciência!

- para o pretensiosismo e pseudo-intelectualismo frustrado - para as revistas ditas sérias que enchem páginas e páginas com assuntos cor-de-rosa, mal escritos e pior investigados - para as filas para entrar nas festarolas da moda - para o excesso de bronze, a roçar a queimadura em 2º grau - para o diz-que-disse - para os cambalachos emocionais - para a falta de sexo - para os resorts paradísiacos, explorados por multinacionais, que empobrecem ainda mais as populações locais - para a falta de consciência cívica e política - para a falta de tempo - para a falta de paciência

Perder um amigo

Já perdi conta das vezes que, aqui, escrevi sobre amores, desamores, paixonetas e ilusões do foro sentimental/sexual. Mas, por muito que essas pequenas vicissitudes me aborreçam, me tirem ocasionalmente o sono, nada me faz sentir tão amarga, tão vazia, tão triste como a perda de um amigo. Perdi-o por razões estúpidas, fúteis, por minha culpa e por culpa nenhuma. Por motivos que se perdem no tempo, nas conversas, na falta de comunicação, nos equívocos, no excesso de orgulho. O meu lado racional diz-me que não há motivos válidos para que isto esteja a acontecer, para este silêncio incómodo, para este muro intransponível. O meu coração quer apenas perdão e que tudo volte ao que era dantes. Mas isso não vai acontecer. Invariavelmente, tudo mudará. Perderemos a inocência nas palavras, a espontaneidade, aquela cumplicidade milagrosa que nos unia. Seremos mais uns.

Até ao Fim

Se te amo? O que é o amor quando temos um crédito-habitação a 35 anos? O que importa a paixão, se o tecto que nos abriga a cabeça pertence ao BES? Podes sair por essas ruas imundas, podes beber até cair, podes drogar-te, podes foder essas solteironas histéricas que, ocasionalmente, te dão a volta à cabeça. Podes fazer o que quiseres, desde que eu não saiba. Desde que apenas desconfie. Desde que, às 6 da tarde ou às 6 da manhã, rodes a chave na porta e te deites ao meu lado. Olha-te ao espelho, olha para mim, olha para nós. É isto que queres? Ou não queres saber? Não queres pensar? Ainda bem, nem eu. Vá, vamos de férias! Vamos a um destino tropical da moda, vamos comer sushi, vamos jantar com os nossos amigos. Com a passagem inexorável dos minutos, das horas, dos dias, beberás mais uma imperial, desapertarás mais um botão das calças. A tua barriga crescerá ainda mais, perderás o pouco cabelo que te resta, o brilho no olhar que ainda dá à volta a algumas cabeças ocas. Elas não te conhece...

100º F

Mostra-me a língua e, indolentemente, recosta-se na espreguiçadeira. Sob o sol intenso do final de Junho, naquele recanto escondido do mundo, tudo acontece num compasso próprio. As regras são diferentes, o sangue corre morno nas veias, os pensamentos são interrompidos apenas pelo zumbido das cigarras, pelo murmúrio das ondas e pela chegada à mesa de mais uma imperial. Sorvo um pouco do líquido amarelado e borbulhante, que me refresca a garganta. Sorrio-lhe, com um ligeiro aceno de cabeça, antes de recolocar os óculos de sol, que me protegem desta luz quase equatorial. Na pele tostada pelo sol um tom ocre, de tardes de preguiça, de maresia. As pernas, musculadas e elásticas, repousam ligeiramente flectidas. Mesmo a descansar, parece pronto para arrancar numa corrida desenfreada. “Não faz nada o meu género!”, penso. No entanto, há qualquer coisa naquele homem seco, de andar gingão e olhar pestanudo que me faz adiar o meu regresso. Devia estar a caminho da cidade, para resolver questões d...