"Well maybe nothing lasts forever, even when you stay together. I don't need forever after, but it's your laughter won't let me go so I'm holding on this way"
Há jeitos que não se esquecem. É como andar de bicicleta. Um olhar, cronometrado ao microssegundo, serve perfeitamente para traçar um rigoroso perfil psicológico. As pupilas mais dilatadas, as órbitas que teimam em resvalar (olhos, lábios, corpo, corpo, lábios, olhos), o adejar das pestanas mais denso e aveludado. A voz, mais colocada, dois tons mais sensual, quase quase no limite do patético-radiofónico. E mesmo quem teima em fugir ao seu destino - o de ser um corpo errante - entrega-se, assim, como quem quer a coisa, ao próximo destinatário. "É a natureza humana!", dirão alguns. "É um cabrão incorrigível!", dirão algumas. Eu sei que a vida é mais do que isso e que numa casa portuguesa fica bem, mulher que saiba por a mesa. E não nos enganemos. O que nós, mulheres, queremos, é um homem a quem estender a toalha, o tacho e o copo sobre a mesa. E o corpo também (mas isso já depende dos corpos... e das mesas). Mas o que há-de uma mulher (qualquer que seja o lad...
Os homens fascinam-me. É verdade. E penso que isto não tem apenas a ver com o facto de eu ser mulher / heterossexual / não-frígida. Há algo que me impressiona profundamente nas relações masculinas, algo que me toca quando observo um grupo de homens em convívio. Sinto inveja da forma atabalhoada, mas diplomática como os machos estruturam as suas amizades. As palmadas nas costas, a sua forma "carinhosa" de falar sobre nós (fêmeas). Com o meu historial, por esta altura, deveria odiar toda a raça masculina, todos os seus exemplares existentes à face da terra. Mas não consigo! Se dissesse que os odiava, estaria a ser hipócrita. Tal como a maioria dos homens, eu também adoro descansar o meu olhar em rapazinhos (e homenzinhos) bem torneados, com olhares profundos e interessantes... Não consigo odiar os homens... porque os adoro! Adoro a forma desarranjada e infantil como convivem . Adoro as conversas que têm, a forma como conseguem viver e conviver à base de assuntos que para nós, ...
A vida não é só enfiar. Há os amigos, a família, as ocasionais bebedeiras e as consequentes ressacas. Há o trabalho (bom ou mau, que o haja) e os tempos livres. Há 'aqueles' filmes do grande ecrã e os outros da vida real. Há a areia, o mar, a hora mágica do crepúsculo e a saga "Crepúsculo" (há quem goste). A vida não é só enfiar nem para ser vivida de enfiada. Há quem viva de enfiar (as putas) e há quem bem viva por enfiar. A boa vida dos que enfiam para viver é uma vida sossegada, sem esforço, sem paixão. Com muitos 'sim, senhor' e nenhuns 'não', que isto de estar posto na vida é mesmo assim. A vida devia ser mais do que enfiar, porque enfiar é um prazer. Não é um vício, mas pode ser ofício. Oficializar por enfiar devia ser proibido, porque não é legítimo. É porco, é mau e é injusto. Mas a vida é mesmo assim..
Comentários