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Fuck!

You fucked up my head!

A linha

Eu passo a linha. Eu arrisco, eu não torno, eu não sei. Eu não quero ser assim, mas não quero ser outra. Só sei assim. Cerra os olhos e encerra os braços em mim, com força. Asfixia-me, enevoa-me os pensamentos, não quero sentir, não te quero. Somos um cliché. Porque não? É mais fácil ser assim. Voltamos… o céu, inseguro, como a minha mão na tua. Dedos entrelaçados por culpa, por imposição, por cansaço, por não conseguirem resistir. Não te resisto. Não quero. Quero transgredir docemente, cair, insane, num apocalipse de suor, saliva, musculaturas retesadas, sangue, cheiro. E, quando abrir os olhos, ver apenas o manto nublado da tua íris, revolta. Como os dias de marés vivas, algas, miríades de peixes prateados flutuando nos teus olhos. Um afluente desaguando no meu corpo. Sem medo. Até ao mar.

Papel

Papel, papel, papel. Palavras. Todos os dias as mesmas palavras, os mesmos rostos, adjectivos repetidos, fórmulas gastas. As mesmas construções frásicas, o mesmo modelo de pensamento, esta estrutura, maquinaria infernal na qual, voluntariamente, me inseri, e da qual (sei) nunca mais sairei. As cores berrantes são como um maestro, um deus ex machina… e eu deixo-me canibalizar. E canibalizo. Com os olhos, com as mãos, a boca. As mãos no teclado, botões, press play, recording… Fuck! Fuck them all. Já não quero ser diferente. Quero passar despercebida. A dor de me fazer notar é infinitamente maior do que o silêncio apaziguador da monotonia. Deixo-me levar. Não quero nada que não seja meu. Este é o meu lugar. É isto que mereço. Mas… Ele. Ele, que transforma os meus dias, ele, que põe ordem, cor, luz, nesta resma de folhas rabiscadas que é o meu coração. Amo-o… mas nunca lho direi. Só eu sei como, num insípido “gosto de ti”, digo muito mais do que é possível expressar. Nem um “amo-te” chegar...

Tourada

Graças à genialidade irónica de Ary dos Santos, a música vencedora do Festival da Canção de 1973 continua mais actual do que nunca. Em tempos de descrença e algum vazio intelectual na cultura popular, sabe bem relembrar esta preciosidade... Como é que conseguiu passar pelas malhas da censura? TOURADA "Não importa sol ou sombra camarotes ou barreiras toureamos ombro a ombro as feras. Ninguém nos leva ao engano toureamos mano a mano só nos podem causar dano espera. Entram guizos chocas e capotes e mantilhas pretas entram espadas chifres e derrotes e alguns poetas entram bravos cravos e dichotes porque tudo o mais são tretas. Entram vacas depois dos forcados que não pegam nada. Soam brados e olés dos nabos que não pagam nada e só ficam os peões de brega cuja profissão não pega. Com bandarilhas de esperança afugentamos a fera estamos na praça da Primavera. Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza graça. Entram velhas doidas e turistas entram excursões en...

Satisfaction

I Can't Get No Satisfaction... No No No

Não é para perceber

"You're not the one I need You're just the one that I want Makes perfect sense to me You're not the one I need But you're the one that I want There ain't no sense of love" É bom sentir-me assim...abençoada por este sentimento. Sem nome, sem definição, sem barreiras. Não sei se se é uma ilusão momentânea, se vai acabar amanhã, daqui a nada ou se durará para sempre. A única coisa que sei é que o quero e que ele me faz sentir bem. E, pela primeira vez na história deste blogue, escrevo com genuína alegria, com a minha verdade, com o meu coração. Não importa o que pode vir a acontecer. O que importa é que, hoje, é ele. E ele é quem eu quero.

Elsa

Elsa ameaça tornar-se um mito. A primeira mulher-enigma portuguesa do séc. XXI. Uma personagem trágico-cómica das revistas (as cor-de-rosa e as outras), que enche páginas e páginas com a sua cabeleira loira e os seus olhos assombrados de desejo, desespero e hedonismo. Contra o que seria de esperar na nossa sociedade ainda misógina e conservadora, Raposo atrai não só atrai a curiosidade geral como cativa quem vê, lê e ouve. Ela é o esterótipo de uma certa mulher. A das margens, dos boudoirs, a que se esconde atrás das máscaras de mãe, esposa, empresária. A mulher-camaleão, devoradora de homens, perdida nos confins de um submundo de desventuras sexuais e escândalos. Mais do que desejada pelos homens, Elsa é invejada e comentada pelas mulheres. A sua história (e as suas estórias) funcionam como catarse para as leitoras / espectadoras. Olham-na como exemplo a não seguir, mas identificam-se com os seus devaneios, cobiçam-lhe a louca liberdade... a mesma que a aprisiona e que, um dia, inevit...

Ilusões de óptica

3 coisas (aparentemente) fantásticas que, na realidade, são uma merda 1 - homens com fatos de três peças 2 - Corrector de olheiras 3 - Sapatos de salto alto

Queimados

Estamos todos queimados! Queimadinhos, esturricados, os cérebros feitos em papa. Queimados pelo álcool, pelas drogas, pelos tranquilizantes, pelos anti-depressivos, pelos estimulantes, pelos contraceptivos, pela sua ausência, pelo sexo, por relações abusivas, pelo ar condicionado, pelos nossos pais, pela impossibilidade de sermos alguém, pela nossa inércia. Queimados, ao ponto de sorrirmos de ignorância incerta perante um amanhã ainda mais incerto. Queimados estão também os casais perfeito-funcionais que se encornam mutuamente, os padres que violam criancinhas, os chefes de família que fodem meio mundo no bas fond gay , as tias plastificadas, encharcadas de champanhe, os patrões sádicos, os subornadores e os subornados, as pitas de 16 anos que fazem broches, as velhas gaiteiras e os presidentes das Câmaras. Todos queimados, todos uma merda. Os Mourinhos, as Marizas, os Figos, os Cristianos Ronaldos são como a cenoura que metem à frente do burro (o asno somos nós). Puta que os pariu! Ma...
A porta fecha-se. Abate-se sobre mim uma torrente de lágrimas fáceis. Não sei ao que vêem, por que caem. O melhor presente de Natal é aquele que nunca se recebeu. Ficámos suspensos no corpo um do outro, num abraço desajeitado. Sem palavras, sem beijos, aproveitando cada instante para recolher pedacinhos de informação epidérmica, radiações incandescentes, o aroma que resta do perfume das manhãs. Por instantes, aninho-me na côncava doçura, nessa sinuosa curva que vai desde a comissura da orelha até à linha firme e aveludada do teu pescoço. Ali, naquele recanto esconso, onde o cheiro humano se concentra, onde a paixão nasce, onde o instinto é mais forte. Inspiro, ganho coragem e parto.

"Já não me lembrava"

"Se gosto de ti, se gostas de mim, se isto não chega tens o mundo ao contrário" És como aquelas canções lamechas que passam infinitas vezes na rádio. É inevitável trauteá-las. Volta e meia, lá estás tu, exactamente no momento em que já quase me esquecia da tua existência. Já (quase) não me lembrava de ti, das tuas feições, do toque áspero das tuas mãos. Já (quase) não sentia, já era um quase nada. Mas, a cada reencontro, a incerteza renasce. Não consigo evitar olhar-te, não consigo deixar de devorar o teu semblante, ávida dos teus olhos, da tua voz. Não sei que desejo terrível é este que teima em não me abandonar. Se já dormi com tantos homens depois de ti, e tu com tantas mulheres... então, porquê? Porquê esta compulsão avassaladora, este desespero brando? Dou por mim a querer falar contigo, mas nada do que digo tem conteúdo. Consigo apenas dizer-te que tenho saudades tuas. Saudades do que não foi. É certo que não te suporto, que os nossos egos não caberiam na maior das cid...

Dor

São duas da manhã. Agora sei, de certeza, que não vais voltar. Estou deitada, na penumbra do quarto. O telemóvel, esse pequeno paralelepípedo que me conecta ao mundo, jaz na mesinha, silencioso, quieto. Aguardo aquela resposta que nunca chegará, o golpe de asa, o momento crucial, que transformaria esta estória sem história numa narração elíptica, sem fim. O meu corpo arde, febril, quero respirar, mas esta dor lancinante paralisa-me os músculos. Tudo me dói, desde a cartilagem da garganta até às articulações dos tornozelos. As lágrimas escorrem-me pelo rosto, sem que seja necessário urdir um queixume, um gemido. Apetece-me gritar mas, se o fizesse, pareceria demasiado cinematográfico. Pouco real. Como esta é a vida que todos temos, limito-me a ficar enroscada nos lençóis, transida de raiva, como um animal ferido.A história é muito simples. Tu tens outra pessoa e eu entrei, furtivamente, na tua vida. Mais, uma vez, deixei-me apanhar neste grande erro, na grande ilusão que é achar que, à ...

Já não sou quem era

Já não sou quem era. Já nem sei quem sou. Nada me emociona, nada me comove, nada me move. Só o trabalho me faz respirar com vontade e seguir em frente. Detesto tudo à minha volta, tudo me desinteressa e aborrece. Ninguém me atura nem eu me sinto capaz de aturar quem quer que seja. Desprezo a felicidade dos que me rodeiam por não ser aquela que ambiciono. O que é isso da felicidade? Que sei eu sobre isso? Diz-se que é na infância que somos realmente felizes. Não me parece. Dessa altura só tenho recordações difusas, normais. Desde que me lembro de existir que sinto este peso e angústia permanentes, que me sufocam o peito e me amargam o estômago. Sou cínica perante o amor, especialmente quando o recebo. Cheguei a tal ponto de descrença que já nem os homens me entusiasmam. Nenhum. Antes, bastava um olhar, um elogio, para se reacender um lastro de esperança, uma chama de desejo, um encantamento instantâneo (Sou tão fácil! Era...). Agora, nem isso. À primeira palavra doce, fujo. Fisicamente,...

Eles dizem que vão!! Ai dizem, dizem!

- " Eles disseram ontem, no telejornal, que vai aumentar os impostos! Anda aqui um gajo a trabalhar para encher o cú a esses gajos ! Eles é que sabem! Depois é só Mercedes, BM's e gajas boas... Eles é que se enchem de guito e um gajo aqui, a dar o litro!" - " Eles vão mandar tropas para o Iraque e depois nós é que nos lixamos..." - " Eles querem é mama, pensas que eu não sei? Eu já conheço os gajos !" Soa familiar? Pois... Para o comum português (ok, não será o português, figura abstracta. É mesmo o TUGA), coabita entre nós, comuns mortais, uma entidade, um supra-sumo invisível mas omnipresente, que existe apenas para lixar a vida ao Zézinho. São "eles" ou, numa versão mais radical, "os gajos". "Eles" são os que cobram impostos, os patrões, os políticos, os administradores das empresas, os pretos, os paneleiros, as lésbicas, as mulheres independentes, o dono do café da esquina, o vendedor de pipocas, o cangalheiro, ...

Não sei...

Quero foder-te! Não, não é isso... Quero apenas que me abraces, como fizeste hoje, que me acaricies o cabelo e faças os teus dedos dançarem no pescoço. Quero que deixes a tua namorada, já! Não, não quero nada disso... Quero ser, apenas, tua amante. Quero-te clandestinamente, roubar-te beijos numa esquina, fazer amor à pressa, suado, sexo simples. Quero que percas o tempo suficiente para me amar. Não, não! Tenho medo da intimidade, tenho medo de ti, não me quero apaixonar. Quero que me puxes pelos cabelos e que me beijes as pálpebras. Que sejas um touro e um beija-flor. Quero que me tatues o corpo de nódoas negras, que me enchas a casa de flores. Quero um anel e não quero nada. Não quero mais nada, se não puder ter tudo.

Abraço

"Bo seiva Invadi-m nha korasom sem limit Ai si um pudéss, Bibé um káliss d'bo melodia!" "Regasu", Mayra Andrade Quando me abraçou, tudo se tornou claro. Tudo se encaminhou, irremediavelmente, para um doce caos. Quando me abraçou, um rio morno correu dentro de mim e a minha pele abriu-se de par em par. Impregnou-me da nuvem evanescente do seu cheiro, senti o vigor dos seus braços e, naqueles breves instantes, fui feliz.
"Há 150 mil anos o mundo vivia em plena Idade do Gelo e havia centenas de mamutes lãzudos" Sempre tive um carinho especial por mamutes. É isso e homens fiéis.

Os olhos do meu amor

Os olhos do meu amor São pedaços de coral São sal, sol, são estrelas Pedacinhos de luar Os olhos do meu amor São flores de jasmim Frescura bela e eterna Oceanos sem fim No teu corpo, meu amado Junto ao teu coração Perto da tua boca, rosa Água, mel, uma canção

Carta de Intenções

Eu acredito no amor. Na paixão. No sexo com amor. Eu acredito no respeito, no entendimento. Eu acredito que é possível. Eu acredito que amanhã vai ser melhor. Eu acredito que tudo vai mudar.

Aleluia,irmão!

Finalmente, um homem iluminado! "Uma mulher com atitude é um perigo" Ricardo Trêpa, in Grazia