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Eles... e eu

“ (…) Despeço-me do que mais quero, só para não te ouvir dizer que as coisas vão mudar amanhã” Susana Félix, “Flutuo” Eles … e eu. Enfiada, voluntariamente, a um canto. Se me considero diferente? Sim, sou arrogante e presunçosa o suficiente para isso! Se calhar, não sou assim tão diferente. Se calhar, também quero o que eles têm (e eu não). Quero o namorado, ali, certinho, garantido. Giro, mas não demasiado. Que me ofereça flores, que diga que sou bonita e me fite com olhos de carneiro mal morto. Quero o carro, as calças Levi’s (38, no máximo… queria tanto ser uma miúda normal!), as mamas maiores, o rabo mais pequeno. Os fins-de-semana românticos (turismo rural no Alentejo ou no Gerês, muito in !), dormir aconchegadinhos durante a semana (sexo moderado, porque no dia seguinte há trabalho), conversar sobre tudo e sobre nada, passear no shopping , ir para casa às duas da manhã, menear reprovadoramente a cabeça perante solteironas insaciáveis… Eu quero isso tudo… porque não o tenho. É tu...

Quote fo the Day

É agradavelmente surpreedente como, de um livro merdoso ("17 casamentos e um namorado"; Darcy Cosper - uma má história e uma ainda pior tradução), se consegue extrair uma citação fabulosa: " O termo que designa um homem que tem uma mulher adúltera é cornudo . O termo que designa uma mulher com um marido adúltero é esposa "

Dança Comigo

Entra na minha dança. Dança comigo, agarra-me, não me deixes ir, não me deixes aqui sozinha! Pareço-te forte, perspicaz, diferente? É tudo mentira! Não me deixes sozinha... Não aprendi a estar só mas, pensando bem, não suporto a ideia de me partilhar, rotineiramente, com outro alguém. Só assim, episodicamente, durante um período de tempo suficientemente atípico e demarcado, passível de recordação firme, frame a frame. Fotograma a fotograma, eis! Quando é que me viciei nestes anjos tisnados de sol? Não sei. Este, que aqui dorme, silencioso, é diferente? Não. Minutos mais tarde, irá levantar-se, beijar-me na testa e partir. Nada de novo mas, ainda assim, agonizo com o já familiar sufoco no peito. Sensação de perda, carência afectiva, erro continuado. Isso tudo e mais um par de botas. Que se lixe! Porque nada, nada, nada, nada se compara àqueles instantes em que mergulho, bem fundo, nos seus olhos (verde, avelã, há também um vestígio de ciano sujo) e, depois de os ter envolvido, suavement...

Vazio

Só acreditei na inspiração quando a perdi...

Cenas de um casamento

“Há uma festa linda a acontecer no mundo e nós não fomos convidados” excerto da peça “Submarino” Devido a um voyeurismo nem sempre bem disfarçado, costumo demorar-me em frente da montra de uma loja de fotografia. Não para admirar a qualidade dos trabalhos (composições demasiado folclóricas e conservadoras, pirosadas visuais), mas sim para saber como vão as vidas cá da terra. Quem casou, quem teve filhos, quem se licenciou… todas estas informações estão escarrapachadas nas várias molduras que compõem a vitrina do estabelecimento (o mais afamado da cidade). Mesmo com o advento das câmaras e telemóveis digitais, a minha gente continua a fazer questão de “olhar para o passarinho”, seja para registar o casamento para a posteridade, seja para fazer uma sessãozinha com o rebento de 2 meses (mesmo que não se consiga melhor do que imagens de um chorão baboso, mordendo os mais variados brinquedos). A montra é o verdadeiro reflexo do status quo local. Embora se realizem dezenas de sessões fotog...

Brownie de chocolate com gelado de baunilha

Aí vem ele… doce tentação A sala estava meia vazia. O chão, cor de ébano, contrastava com o branco cosmopolita das paredes, da luz tersa dos candeeiros, do vidro que me separava da cidade. O prato, alvo, produzia reflexos multicolores, à medida que avançava pela sala adentro. As linhas rectas combinavam harmoniosamente com os cantos arredondados. Anguloso e curvilíneo. Aparentemente, era demasiado grande para receber o conteúdo, mas depressa me apercebi que o espaço tinha sido concebido na proporção ideal para dispor todos os elementos… Cheguei cedo, como sempre. Entrei assim que abriram as portas e esperei. A noite estava fresca, quase fria, soprava um vento desagradável, o que tornava as ruas íngremes e escuras ainda mais inóspitas. Ali estava-se bem. A música ronronava, sininhos, soluços de sintetizador, baterias computorizadas, versos repetitivos. Uma esfera revestida de espelhos baloiçava, enforcada no tecto esbranquiçado, e produzia inúmeros reflexos no chão. Se o fixasse atentam...

Eu sei que tu sabes que eu sei

São quase nove da noite e tu ainda não chegaste. Sento-me, silenciosamente, no sofá. As pernas, discretamente cruzadas, o cabelo penteado, apanhado na nuca, a roupa limpa e sem um vinco. Seria incapaz de receber o meu homem de avental posto, a cheirar a fritos, toda suada e com o buço por fazer. Nunca! Não foi assim que a minha mãe me educou. Já lhe basta a dor de saber que a sua filha mais velha vive em pecado. É por ela que, inconscientemente, aguento este passar de dias, este ram-ram sem fim, esta espera. Eu sei que vou conseguir. Ouço o sinal sonoro do forno. Comprámo-lo há pouco tempo. É um daqueles exemplares ultra-modernos, design italiano, tecnologia de ponta. Temperatura controlada, desliga-se sozinho. Um pouco como eu. O aroma das beringelas recheadas (um prato requintado, leve, ideal para um jantar a dois) chega, quase imperceptivelmente, até mim. Observo demoradamente as minhas mãos. As unhas estão impecavelmente arranjadas, pintadas com verniz transparente. Um anel, de our...

Splendour in the Grass

What though the radiance which was once so bright Be now for ever taken from my sight, Though nothing can bring back the hour Of splendour in the grass, of glory in the flower, We will grieve not, rather find Strength in what remains behind; In the primal sympathy Which having been must ever be; In the soothing thoughts that spring Out of human suffering; In the faith that looks through death, In years that bring the philosophic mind. William Wordsworth

Engate em discotecas: Toda a Verdade

Facto: 99% dos frequentadores de discotecas procuram um parceiro sexual. Facto: 99% dos frequentadores de discotecas abandona as ditas sem arranjar um parceiro sexual. Posto isto, quais são os factores de sucesso do inefável 1%, esse vitorioso percentil de gente que, às 6 da matina, regressa ao aconchego do lar com um corpo desconhecido, quentinho e devidamente alcoolizado, predisposto a entregar-se aos prazeres pecaminosos da carne? Foram realizados diversos estudos nas áreas da psicologia, psiquiatria, zoologia, sexologia, culinária e afins, nenhum verdadeiramente conclusivo, para grande desgosto dos restantes 99% que, após diversas horas de shots, roça-roça e frases de engate, abandona os recintos de diversão empty handed. Se é verdade que toda a gente que está num espaço de diversão nocturna deseja (ainda que inconscientemente…suas puritanas!!) fornicar, o que é que está a falhar? Onde é que estamos a errar, neste século XXI em que até os casamentos funcionais via Internet são poss...

Por Favor!!

Não queria usar o meu blogue para fazer pedidos ou avisos, mas vejo-me obrigada a abrir uma excepção. Quem quer que seja o Anonymous que me anda a deixar comentários (diria... indirectas??), particularmente em relação ao texto "Em Carne Viva", tenha a delicadeza de se identificar, para que possamos discutir o problema em questão. Até faço mais!! Deixo o meu mail e tudo! costraquel@gmail.com Obrigada!!

Em Carne Viva

É um ferro em brasa que marca a minha carne com a tua marca. Carne viva, desejo vivo, estéril, seco. Uma crosta por arrancar, uma ferida, um mal menor. És apenas vontade da (minha) carne, porque tudo o resto se esvaiu. Já não trazes luz no teu sorriso, o mar dos teus olhos é feio, profundo e hostil. Nem o ouro de fogo do teu cabelo, nem as tuas mãos, nem a tua boca generosa. Nada me faz. Nada é nada. Já não vejo a tua alma no teu corpo, já não ouço a tua voz. Já não sou eu, mulher, pessoa, que te quer. Eu sou carne, à espera. Só. Aguarda, a minha carne. Quero enterrar a minha boca na tua, nessa superfície carnuda e húmida, provar de novo (uma última vez) a tua saliva, a textura da tua língua revolta. Lutar contigo, boca na boca. Sei que quero, porque não sinto. Já não te sinto. Eu perdi a vergonha porque já não te desejo com esperança. Quando vi quem eras, uma ordem lógica perdeu-se e mergulhei no caos de frases desconexas. Nada fez sentido. Por isso, já não me envergonho, não há culpa...

Audiências - duas rapidinhas

1 - Segundo o Diário de Notícias de hoje, e analisando as audiências de Domingo passado, o canal Panda (sim, o tal que passa bonecada 24 horas por dia, 7 dias por semana) lidera a tabela classificativa, com 3,1% do share total. Esta informação não teria nada de especialmente interessante não fosse o dito canal estar à frente da SIC Notícias. Concluímos, por ‘a’ mais ‘b’, que: - as crianças portuguesas preferem o entertenimento à informação. Depois queixam-se dos baixos níveis de aproveitamento escolar... ou… - os adultos trocaram Adelino Faria e Ana Borges pelas aventuras de Vicky, Barbie, etc… 2 - Os bíblicos (pela extensão, não pela importância. Talvez pelo pelo absurdo) directos que os 3 (3!!) canais nacionais fizeram da cerimónia de trasladação da irmã Lúcia (e todo o folclore envolvente) não chegaram ao top dos 10 programas mais vistos de Domingo. Fartos das D. Alcinas de Marco de Canavezes, que foram a Fátima tentar acertar com um ramo de hortênsias na carrinha funerária, os por...

Nova imagem

Mudámos de visual!! Porque sim, porque é giro... Porque adoro o cor-de-rosa, mas queria um grafismo mais "respeitável", com caracteres que imprimissem uma certa ideia de seriedade a este meu simpático ciber-pasquim...
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Heath Ledger e Jake Gyllenhaal 

Brokeback Mountain

O amor como ele é. Simples, duro, sublime, cruel, doloroso. Para sempre.
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Neve em Lisboa!! N�o h� palavras... apenas as imagens para recordar!! 

2006 (O que vou fazer comigo?)

O novo ano começou da melhor maneira. Vestido preto, a estrear, jantar de gala na praia de Portimão. Música ao vivo, comida deliciosa, todos os ingredientes para uma entrada em grande. À minha frente, na mesma mesa, aquele giraço com quem tive uma “cena” umas semanas antes. Ao lado dele, a giraça com quem ele estava a ter uma “cena”… naquele preciso momento. As doze badaladas soaram e, enquanto emborcava uma taça de Moet et Chandon, fechei os olhos para não ter de suportar a tortura que era ver o giraço a beijar, profusa e carinhosamente, a giraça. Tal e qual como me havia beijado, há umas semanas. Já passei por situações desagradáveis, que envolviam namoradas e coisas que tais, mas em nenhuma delas me senti tão ridícula como neste cenariozinho de ano novo. Eu não senti vontade de chorar, de lhe partir a cara (minto… sim, eu senti vontade de o esganar… só não o fiz porque achei que não valia a pena sujar as minhas mãos naquele pescocinho deslavado) ou de gritar “fui apenas mais uma”. N...

Depois...

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(o tempo está a passar… tenho que, tenho que… preciso de… preciso…) Depois havia aquele muito giro, de olhos verdes, um perdidinho! Fumava ganza até cair para o lado, ele dizia que era para espantar o sono, mas eu sabia que era para se espantar, para se surpreender. Muito giro esse, viajado, conhecia a Amazónia e tudo! Giro, giro, mas completamente destravado…Houve, depois, aquele idiota com uma namorada na Noruega, com quem falava num inglês macarrónico. Esse idiota, com ejaculação precoce e grandes planos, inconcretizáveis, mais um idiota burguês, um beto com a mania que era freak, mais um anti-sistema com os seus ténis Adidas e as suas incontáveis viagens aos destinos que todos os pseudo-freaks adoram… Praga, Budapeste, Zagreb… Havia também um louro com cérebro de galinha, que corria e fazia mais não sei o quê. E, depois, um outro loiro, que tinha uma paixão assolapada pela prima e que cheirava a natas azedas… Depois, aquele muito doce e muito alto e muito inocente, que me trocou po...

Vale a pena ser lido...

Vaticano: Papa Bento XVI decreta desaparecimento do limbo Igreja abre portas do Céu a bebés sem baptismo Ricardo Cabral O Papa Bento XVI prepara-se para decretar a desaparição da figura do Limbo (local, entre o Céu e o Purgatório para onde se dizia que iam as crianças que morriam sem ser baptizadas), estabelecendo que os bebés que morrem sem receber o Sacramento do Baptismo vão directamente para o Céu, “graças à Infinita Misericórdia de Deus”. A questão está a ser debatida em Roma, na reunião da Comissão Teológica Internacional, que congrega mais de duas centenas de teólogos de todo o mundo, e o documento deve ser apresentado ao Papa este fim-de-semana. O cónego Costa Neiva, professor de Sacramentologia na Faculdade de Teologia de Braga, disse ao CM que o “o Limbo foi uma figura criada por S. Tomás de Aquino, no século XI, para resolver o problema das crianças que morriam sem baptizar e que, segundo a doutrina anterior, iam para o Inferno”. FIM DE UMA CR...

Dancing with myself

"Tenho de ter calma, senão não chego a velha..." Às vezes penso que, se repetir este mantra, ele se vai infiltrar no meu inconsciente e irei, finalmente, absorver esta mensagem tão simples, mas tão dificil de acatar: eu não posso mudar o mundo. É... não dá mesmo. Isto a propósito de tanta coisa... do trabalho, que não é suficiente, do tempo, que não chega, do amor, que não é perfeito, do sexo, que é pouco, do dinheiro, das viagens... Apetecia-me não dedicar tanta energia física e mental a tudo o que me rodeia, para não me sentir tão exausta, tão sem chão... Cheguei a uma altura (perceba-se... não cheguei a lado nenhum, estou a passar...) em que tenho MESMO que controlar os meus ímpetos emocionais, sob pena de perder o fôlego para o resto da vida. Gostava de experimentar a calma, aquela calma que julgo sentir quando nada me entusiasma, quando os dias passam cinzentos, quando passeio sozinha e isso não me aflige... Mas não consigo: penso nela com toda a força, empenho-me, invoc...