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Depois...

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(o tempo está a passar… tenho que, tenho que… preciso de… preciso…) Depois havia aquele muito giro, de olhos verdes, um perdidinho! Fumava ganza até cair para o lado, ele dizia que era para espantar o sono, mas eu sabia que era para se espantar, para se surpreender. Muito giro esse, viajado, conhecia a Amazónia e tudo! Giro, giro, mas completamente destravado…Houve, depois, aquele idiota com uma namorada na Noruega, com quem falava num inglês macarrónico. Esse idiota, com ejaculação precoce e grandes planos, inconcretizáveis, mais um idiota burguês, um beto com a mania que era freak, mais um anti-sistema com os seus ténis Adidas e as suas incontáveis viagens aos destinos que todos os pseudo-freaks adoram… Praga, Budapeste, Zagreb… Havia também um louro com cérebro de galinha, que corria e fazia mais não sei o quê. E, depois, um outro loiro, que tinha uma paixão assolapada pela prima e que cheirava a natas azedas… Depois, aquele muito doce e muito alto e muito inocente, que me trocou po...

Vale a pena ser lido...

Vaticano: Papa Bento XVI decreta desaparecimento do limbo Igreja abre portas do Céu a bebés sem baptismo Ricardo Cabral O Papa Bento XVI prepara-se para decretar a desaparição da figura do Limbo (local, entre o Céu e o Purgatório para onde se dizia que iam as crianças que morriam sem ser baptizadas), estabelecendo que os bebés que morrem sem receber o Sacramento do Baptismo vão directamente para o Céu, “graças à Infinita Misericórdia de Deus”. A questão está a ser debatida em Roma, na reunião da Comissão Teológica Internacional, que congrega mais de duas centenas de teólogos de todo o mundo, e o documento deve ser apresentado ao Papa este fim-de-semana. O cónego Costa Neiva, professor de Sacramentologia na Faculdade de Teologia de Braga, disse ao CM que o “o Limbo foi uma figura criada por S. Tomás de Aquino, no século XI, para resolver o problema das crianças que morriam sem baptizar e que, segundo a doutrina anterior, iam para o Inferno”. FIM DE UMA CR...

Dancing with myself

"Tenho de ter calma, senão não chego a velha..." Às vezes penso que, se repetir este mantra, ele se vai infiltrar no meu inconsciente e irei, finalmente, absorver esta mensagem tão simples, mas tão dificil de acatar: eu não posso mudar o mundo. É... não dá mesmo. Isto a propósito de tanta coisa... do trabalho, que não é suficiente, do tempo, que não chega, do amor, que não é perfeito, do sexo, que é pouco, do dinheiro, das viagens... Apetecia-me não dedicar tanta energia física e mental a tudo o que me rodeia, para não me sentir tão exausta, tão sem chão... Cheguei a uma altura (perceba-se... não cheguei a lado nenhum, estou a passar...) em que tenho MESMO que controlar os meus ímpetos emocionais, sob pena de perder o fôlego para o resto da vida. Gostava de experimentar a calma, aquela calma que julgo sentir quando nada me entusiasma, quando os dias passam cinzentos, quando passeio sozinha e isso não me aflige... Mas não consigo: penso nela com toda a força, empenho-me, invoc...

Normalidade

"A normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

Casa Pre-Fabricada

"Abre os teus armários. Eu estou a te esperar para ver deitar o sol sobre os teus braços castos. Cobre a culpa vã ... até amanhã eu vou ficar e fazer do teu sorriso um abrigo. Canta que é no canto que eu vou chegar. Canta o teu encanto que é pra me encantar. Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você.Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais. Vale o meu pranto que esse canto em solidão. Nessa espera o mundo gira em linhas tortas. Abre essa janela, a primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota. Canto que é de canto que eu vou chegar. Canto e toco um tanto que é pra te encantar. Canto para mim qualquer coisa assim sobre você que explique a minha paz. Tristeza nunca mais" Maria Rita "Casa Pré-Fabricada" Segundo

Cidade

Apenas a voz evanescente de uma guitarra. Apenas uma guitarra, meu amor, O som da Cidade...e o doce traço do teu rosto Fios de ouro na minha mão, minhas mãos Meu coração. Apenas a voz grave de uma guitarra. Só mais um acorde, uma dor Uma dor de te olhar, sem fim Duas esmeraldas, luz, luz Meu amor. Apenas a Cidade como presença. Um rio, que nos protege Casas caiadas, cegas, as janelas E as ruas, perdem-se, desencontram-se Achei-te. Tu, aqui, eu.
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A "Missa" 

A "missa"

Missa I Quando eu era pequena, a minha mãe obrigava-me a ir à missa. A eucaristia foi, até aos 12 anos, um castigo dominical que eu, agnóstica avant la lettre do conhecimento sobre o significado da expressão, cumpria religiosamente. O ritual causava-me uma verdadeira angústia, com repercussões psicológicas e até físicas. Como é tradição nas terras pequenas, que regem o seu quotidiano pelos calendários paroquiais, o Domingo é dia de festa. Da festa do Senhor e da Senhora. E, já agora, das senhoras, que se emperiquitam com as melhores fatiotas para ouvir a palavra divina. Nos primórdios da década de 90, as multinacionais de pronto-a-vestir eram uma miragem e as fatiotas domingueiras provinham das mãos de fada das modistas. Comprava-se o tecido, que era levado à costureira. Eram tiradas as medidas e, duas provas depois, a farpela estava pronta. Havia uma mania qualquer com os vestidos, com golas de renda e laçarotes na cintura. Fazendas ásperas, de cores medonhas, que estrangulavam o pesc...

NOTA: AUTARQUICAS

O povo é (estupidamente) soberano.

"My Soul Has Grown Deep Like The Rivers"

Não sei se esta ressaca vai passar. Duvido que, num futuro próximo, consiga encarar um homem sem desconfiança, sem pensar numa traição, numa mentira. Mas verdade seja dita: duvido que exista algum homem tão inseguro, tão mentiroso, tão cobarde e incapaz como ele era. Não pode! Mesmo que haja, será sempre diferente, porque será um outro homem, uma outra situação. Venham eles! Venham eles, os homens, venham os sobressaltos, venham os fascínios, as dores de cabeça, os telefonemas. Não queria problemas mas, já que os atraio, que sejam novos. Que sejam outros. Após uma quantidade abusiva de horas fechada naquela selva de aço e betão,olhei-me de fora, em câmara lenta e pensei... "Já está! Já te deixaste apanhar!". Não, não foi do cansaço, não foi da fragilidade natural após tantas horas sem dormir. Nem sequer dos meses "a seco". Foi porque tinha que ser. E, mesmo assim, continuo sem perceber esta minha atracção pelo abismo, por estes homens que, ao primeiro olhar, passam ...

Voltei (azar dos azares)

Nunca ocupei este mísero ciber-espaço a dissertar sobre a minha vidinha (real). O que escrevi, até agora, sempre teve uma lufada de ficção, porque esta cabecinha sabe que, no fundo, nobody gives a fuck, e há coisas mais giras para se ver (e ler) na net do que este meu caro blogue. No entanto, vejo-me obrigada a abrir uma excepção, para explicar a minha ausência. Há um mês atrás, resolvi, numa das inúmeras pausas aqui no local de labuta, enviar uma mensagem a um jovem, encontrado ao acaso no hi5 (essa estranha rede de gente). Tenho de admitir que a abordagem não foi das mais felizes, mas o rapaz tinha uma foto onde, com um cravo na lapela, gritava (por escrito, claro) "25 de abril sempre... mas não sou COMUNA". Excesso de zelo ou falta do que fazer, deixei uma notinha menos simpática ao rapaz. Que, pelos vistos, não gostou do apontamento. E, a partir de então, desenrolou-se uma troca de galhardetes que não irei reproduzir aqui. O sumo do desentendimento resume-se ao seguinte: ...

Quote day

"A mi me encanta la gasolina (dame mas gasolina!) A mi me gusta la gasolina(dame mas gasolina!)" George W. Bush

Jazzamor

Lisboa é jazz. Desligaram os telemóveis, depois de um dia comum, a atender chamadas de clientes, fornecedores, publictários, a mãe que quer saber se tinha almoçado em condições. Partilhavam um pacote de batatas fritas, oleosas e estaladiças, quentinhas. Estranho petisco para um final de tarde de Verão! A mesa estava estrategicamente colocada num ponto que não dava muito nas vistas. Atrás de um pilar, num dos lados daquele rectângulo, daquela praça. Era mais um daqueles centros comerciais com aspirações a centro cultural, com programas "culturais" para entreter tios e betos. Betalhada que, no intervalo da compra de uma camisa Burberry's ou uma sandália Moschino, se refastela numa mesa a beber um ristretto (uma bica). Betos clássicos, betos cinéfilos, betos anti-betos, homens engravatados acabados de sair do banco, casais recém-formados, com aquele ar de quem descobriu o amor entre um balancete e uma apólice. Muita gente. E eles. Falavam sobre assuntos banais, os amigos que...
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Liiiiindassss!!! 

Gajas I

Há coisas que eu, como mulher, tenho uma certa dificuldade em entender. A sério, houve alturas em que me olhei atentamente no espelho e procurei, em vão, um pénis (ou algo do género). Simplesmente porque me sentia radicalmente diferente das minhas companheiras. Ok, ok, já sei que isto deve soar muito "independente-Alannis-Morissette-revoltada-feminista-queima-soutiens", mas é verdade. São coisas que me apoquentam! Tendo chegado à conclusão que não existia ali nenhum penduricalho, mas "apenas" um "pipi", pus-me a pensar no que me incomodaria nos hábitos femininos considerados "normais". - Pedir roupa emprestada : "Ai, ai, são 7 da tarde e tenho uma festa faaaaaaaaannnnntásssstica logo à noite! Olho para o armário, e de entre os 1500 pares de calças, 500 saias e 900 tops não consigo encontrar naaaaaaaaadaaaaaaaa para vestir!! ( suspiro )!" Soa familiar? Pois... A maior parte das minhas "irmãs", não sendo particularmente abonadas...

24

24 horas de pé. O cansaço havia de fazer os seus efeitos. A combinação-cliché: Bairro e Lux. Mais urbano, decadente, pós-moderno e chique não podia ser. E, no entanto, no desencanto do desamor da cidade, descubro um novo motivo para viver. O inesperado juntou-nos à mesa, entre discussões sobre política e cálices de Porto. Bebia compulsivamente e falava em tom arrogante como se, do alto dos seus poucos anos, fosse dono da verdade e se dignasse a partilhar uma pequena parte da sua sabedoria connosco, pobres mortais. Um miúdo. Ao seu lado, senti-me infinitamente velha e cansada. Olhando-me no reflexo dos espelhos, via as rugas que me marcavam o contorno dos lábios, os meus olhos cépticos, cinzentos, de um verde nocturno. E ele, mesmo ali ao meu lado, apolíneo e fresco, bronzeado. Falava de viagens. Falava, falávamos e não dizíamos nada. Típico... já se está a ver no que é que isto vai dar... Um nome conhecido faz os seus passes de mágica no altar. Prostramo-nos em seu redor, fazendo vénia...

É melhor fechar os olhos

Pensava que os ecrãs da Metro TV eram os únicos espécimes que contribuiam para o agravamento do stress do cidadão incauto que sobrevive nos túneis de Lisboa. Afinal o fenómeno não se restringe ao transporte subterrâneo da capital. Nos últimos dias tenho utilizado a Vimeca (passo a publicidade - Tansportes de Lisboa) e descobri que estes autocarros também estão equipados com elegantes ecrãs plasma, transmitindo conteúdos produzidos pela Bus TV. Não faço ideia quem são os génios por detrás deste tipo de programação, mas gostaria aqui de explanar um pouco sobre a mesma. À semelhança da SIC Outdoors (que polui a praça da alimentação do Colombo), a Bus TV fornece generalidades como a metereologia, a previsão diária do zodíaco (eu, signo Peixes, tive uma certa vontade de apanhar o autocarro na direcção oposta ao local de trabalho, de tão catastrófica que era a minha sina) e publicidade institucional. Mas a verdadeira pérola é a anedota em forma de cartoon. A fórmula é simples: recorre-se ao ...
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Eles voltaram! 

O melhor de mim (digam o que disserem)

Eu fui uma fanática. Não apenas uma fã, uma fanática. Posters, T-shirts , cd’s, vídeos, gritos histéricos… tudo! A minha adolescência foi marcada por este tipo de doença que ainda ninguém conseguiu explicar com precisão. O meu objecto de adoração? Os Backstreet Boys. Eu sabia tudo sobre eles. Nomes completos, datas e locais de nascimento. Todas as letras de todas as músicas dos álbuns, de cor. Conseguia escrevê-las, se fosse preciso. Não dormi quando um deles foi operado ao coração, quando a irmã de um deles morreu. Ridículo, claro. Investir energia, dedicação e dinheiro em pessoas que nunca se vai conhecer. Adorar uma imagem que é construída por peritos em música pop , relações públicas, publicidade… enfim. Isso sei-o, agora que passaram quase 8 anos desde o início dessa febre. 8 anos depois, já não tenho 14 anos, tenho 22. já não ando no liceu, estou prestes a entrar no mundo do trabalho. Porque me lembrei de uma adoração pateta? Por várias razões: a primeira, mais óbvia, porque os B...

Too sensitive

Esse teu swing , sério, samba, bossa nova, jazz , tão bom Tão bem. O teu ar assim, fechado, vem, meu bem, meu anjo, meu céu. Cuida de mim como cuidas de ti Do espaço, do chão Sem luz, só a lua, o sol Meu bem. Vem para cá, para o meu canto Hei-de tocar na tua história Como ninguém jamais o fez. Meu bem, meu swing , bossa nova, jazz, meu amor Vem.