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A mostrar mensagens de novembro, 2006
A porta fecha-se. Abate-se sobre mim uma torrente de lágrimas fáceis. Não sei ao que vêem, por que caem. O melhor presente de Natal é aquele que nunca se recebeu. Ficámos suspensos no corpo um do outro, num abraço desajeitado. Sem palavras, sem beijos, aproveitando cada instante para recolher pedacinhos de informação epidérmica, radiações incandescentes, o aroma que resta do perfume das manhãs. Por instantes, aninho-me na côncava doçura, nessa sinuosa curva que vai desde a comissura da orelha até à linha firme e aveludada do teu pescoço. Ali, naquele recanto esconso, onde o cheiro humano se concentra, onde a paixão nasce, onde o instinto é mais forte. Inspiro, ganho coragem e parto.

"Já não me lembrava"

"Se gosto de ti, se gostas de mim, se isto não chega tens o mundo ao contrário" És como aquelas canções lamechas que passam infinitas vezes na rádio. É inevitável trauteá-las. Volta e meia, lá estás tu, exactamente no momento em que já quase me esquecia da tua existência. Já (quase) não me lembrava de ti, das tuas feições, do toque áspero das tuas mãos. Já (quase) não sentia, já era um quase nada. Mas, a cada reencontro, a incerteza renasce. Não consigo evitar olhar-te, não consigo deixar de devorar o teu semblante, ávida dos teus olhos, da tua voz. Não sei que desejo terrível é este que teima em não me abandonar. Se já dormi com tantos homens depois de ti, e tu com tantas mulheres... então, porquê? Porquê esta compulsão avassaladora, este desespero brando? Dou por mim a querer falar contigo, mas nada do que digo tem conteúdo. Consigo apenas dizer-te que tenho saudades tuas. Saudades do que não foi. É certo que não te suporto, que os nossos egos não caberiam na maior das cid...